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Artigos de Opinião Empreendedorismo e Sustentabilidade

Empreendedorismo e Sustentabilidade

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Artigos de Opinião
A resolução dos desafios socio-ambientais com que a população mundial se tem vindo a debater vem proporcionando a emergência de novos conceitos que tornam obrigatória a mudança de atitudes por parte das pessoas e das organizações.

Atingir o lucro de forma responsável, construir relações duradouras com os clientes e em fazer uma contribuição positiva para o meio ambiente e para as comunidades onde atuamos são de facto preocupações que transcendem, cada vez mais, a esfera das grandes organizações e se posicionam na rotina dos pequenos negócios tornando, estes, uma verdadeira força propulsora de mudanças, disruptivas, que nos possam conduzir a um mundo novo.

Perante um acréscimo anual de 80 milhões de pessoas no nosso planeta, a somar às quase 7 mil milhões existentes, fácil será perceber que todos anos precisamos de mais espaço, comida, água, educação e/ou empregos que no limite podem tornar o nosso estilo de vida insustentável uma vez que o mundo desenvolvido já utiliza mais recursos do que a Terra pode continuar a fornecer.

Baseando-se o empreendedorismo em três elementos chave (i) captação de oportunidades, (ii) mobilização de recursos e (iii) obtenção de resultados faz com que, no actual contexto, este se assuma como uma actividade humana muito importante, certamente uma das mais importantes para o progresso e desenvolvimento da nossa Sociedade. É difícil imaginar o progresso da civilização sem ele e por isso o maior desafio que podemos lançar, a todos os empreendedores, encontra-se nos domínios que ameaçam a nossa Civilização e a existência da Humanidade.

É habitual ter-se presente que os factores que impulsionam o empreendedorismo, passam normalmente pela luta pelo lucro e a criação de riqueza, o desejo de reconhecimento e de realização, e o aproveitamento das oportunidades. Porém, nos últimos tempos, o aparecimento de uma nova geração de empreendedores tem vindo a demonstrar que a melhoria na qualidade de vida e crescente consciência social assumem uma componente motivacional, muito forte, junto de quem quer contribuir para a solução dos problemas nomeadamente na área das ciências alimentares, biomedicina e energias verdes.

Conscientes de que o desenvolvimento sustentável terá de passar, obrigatoriamente, pela implementação de soluções que possam satisfazer as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas, torna-se cada vez mais corrente assistir-se ao aparecimento de projectos empresariais - independentemente do seu tamanho, indústria e/ou etapa de desenvolvimento – que visam desenvolver, produzir e vender produtos, serviços ou experiências, a um mercado definido e em condições definidas de modo a criar valor real para todos os intervenientes.

Estes benefícios adoptam a forma de novos e melhores produtos e serviços, assim como melhorias na eficiência para as empresas, consumidores e cidadãos conforme foi conseguido pela start-up americana WeatherBill - posteriormente designada por Climate Corporation e adquirida em Outubro de 2013 pela empresa de biotecnologia Monsanto por cerca de mil milhões de USD- cujos empreendedores se rodearam de Investidores, Business Angels, que, tendo aportado capital e conhecimento empresarial, lhes permitiram desenvolver um algoritmo que tendo analisado mais de 30 anos de dados meteorológicos, 60 anos de dados sobre rendimentos de exploração agrícola e mais de 14 terabytes de informação sobre o tipo de solos, permitiu construir uma plataforma tecnológica que passou a apoiar os agricultores a melhorar a rentabilidade das suas explorações e a proteger as suas operações agrícolas, com seguros, só possíveis de subscrever porque as respectivas companhias passaram a reconhecer a credibilidade da citada informação.

Outro exemplo elucidativo do aproveitamento de oportunidades, nesta época de permanentes mudanças e instabilidade crescente mas também de conquista pela qualidade de vida e pela produção sustentável de bens e serviços, é nos dado pela start-up,  Zipcar, a qual foi criada por duas mães, que viviam em Cambridge, e que se conheceram porque os seus filhos frequentavam o mesmo colégio.Com experiência empresarial e um mestrado em administração de empresas na posse de uma das mães e de conhecimento de tecnologia e mercado na outra, decidiram elaborar um plano de negócios que apresentaram ao Reitor do MIT que lhes deu um feedback positivo e a recomendação para procurarem Business Angels que as ajudassem a implementar o modelo de negócio que tinham identificado.

Com cerca de metade da população mundial a viver em cidades e como resultado das mudanças ocorridas nos estilos de vida citadinos, nomeadamente a preocupação relacionada com o ambiente, incluindo a poluição de um número crescente de carros e a disponibilidade de espaços necessários para os estacionar, as empreendedoras identificaram uma oportunidade que visou mitigar esse tipo de preocupações uma vez que o sistema de partilha de viaturas criado diminuiria a necessidade de aquisição de viaturas e contribuiria igualmente para a diminuição da construção de novos lugares de estacionamento.

O projecto Zipcar que começou com um financiamento de Business Angels no montante de 25mil USD foi adquirido, em Janeiro de 2013, pela Avis Budget Group numa transacção que atingiu mais de 500 milhões de dólares e após esta entidade ter confirmado a oportunidade global derivada dos problemas de sustentabilidade no mercado, de aluguer, de carros citadinos.

A exemplo do que está a acontecer um pouco por todo o mundo também no nosso País começa a ser habitual o aparecimento de start-ups que visam satisfazer necessidades, por exemplo, em áreas com impacto na saúde pública- mudança climática, químicos mais seguros, comida sustentável, redução de desperdícios e conservação de água- e de que a 5ensesinfood é uma digna representante.

Nascida no âmbito de um projecto de investigação realizada na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, a 5ensesinfood foi alvo de um investimento por parte de Business Angels e de Fundos de Venture Capital, tendo em vista permitir às empreendedoras instalar uma unidade industrial para servir o mercado global, tendo como principais clientes-alvo as empresas de lacticínios e de bebidas, numa lógica de B2B.

Desenvolver ingredientes, isentos de microrganismos livres o que permite a extensão dos prazos de validade dos alimentos e de benefícios nutricionais acrescidos, para o mercado global de alimentação e bebidas com base numa tecnologia de fermentação inovadora é um objectivo ambicioso mas revelador do potencial existente, no nosso Ecossistema Empreendedor, não só do lado dos empreendedores mas também dos investidores.
De facto nos últimos três anos, e tendo por base a primeira linha de financiamento criada no âmbito do Programa FINOVA - e gerida pela PME Investimentos - foram efectuados investimentos em 112 start-ups, com menos de três anos de actividade, no montante global de 21 milhões de euros que possibilitaram a criação de mais de 160 postos de trabalho qualificado.

Mais recentemente, ou seja desde o passado dia 18 de Fevereiro, com o lançamento da segunda linha de financiamento para Business Angels, no montante global de 15 milhões de euros, já foram realizados investimentos em mais 18 start-ups que totalizaram cerca de nove milhões de euros.

Em face do exposto podemos concluir que também no nosso País, a comunidade de Business Angels, é o investidor por excelência do financiamento de novos negócios que ambicionam conquistar o mercado global. Tendo em linha de conta que ainda se encontram disponíveis para investir até Junho de 2015, 21 milhões de euros da primeira linha de financiamento, e até Setembro de 2015, 6 milhões de euros da segunda linha de financiamento, sou da opinião que os números atrás referenciados irão ter um acréscimo muito significativo dando satisfação ao aumento da procura que se tem estado a verificar por parte dos empreendedores portugueses que começam a acreditar que Portugal tem o ambiente ideal para lançarem as suas empresas, nomeadamente as que apresentem modelos de negócios sustentáveis.
Actualizado em ( Segunda, 13 Outubro 2014 17:40 )  

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