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Artigos de Opinião O Capital de Risco e o Jovem Agricultor

O Capital de Risco e o Jovem Agricultor

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Ainda não há muito tempo, um pedaço de terra, um arado, um tractor, um silo, umas vacas, alguns porcos e galinhas seria um bom começo para quem pretendesse iniciar a actividade de empreendedor agrícola. Todavia, na verdade, este cenário está a mudar, em função do impacto das Tecnologias de informação e Telecomunicações em todos os sectores da economia e da sociedade, levando a que hoje em dia o computador e a ligação à Internet desempenhem um papel fundamental na obtenção de eficiência na produção e na comercialização de produtos agro-pecuários.

Se até ao presente momento a agricultura (em qualquer país do mundo) se mostrava tímida na adopção das Tecnologias da Informação e Telecomunicações, a velocidade das mudanças que ocorrem ao nível de adopção dessas mesmas tecnologias nos EUA (50% das propriedades tem acesso a um computador e 31% estão ligadas à internet) e a corrida das empresas de matérias primas e produtoras de alimentos, em parceria com empresas de informática, para o agro-negócio electrônico (ou e-farming), prenunciam que pode estar a chegar o momento áureo do sector de agro-informática, conforme o demonstram os seguintes projectos empresariais, todos eles apoiados por capital de risco: www.farms.com , netseeds.com ,farmbid.com , e-auction.com , agrimall.com .

Temos consciência que a mera exortação não é suficiente para conseguir iniciar a actividade empresarial, pois o jovem agricultor tem de demonstrar, com exemplos verdadeiros, que possui, realmente, qualidades que lhe permitem ultrapassar a média. Caso contrário, a sua aspiração não tem credibilidade. Crescer ao ritmo dos seus pares mais fracos não é certamente suficiente. Por exemplo, pergunte aos seus colegas o que eles fariam se estivessem no negócio das alfaces. Certamente que eles não poderiam, p.e., instalar um chip Pentium na cabeça de uma alface ou digitalizá-la e enviá-la zipada pela Internet.

Mas, em alternativa, poderiam fazer como Steve Taylor, fundador da Fresh Express, quando em finais da década de 80 decidiu criar um modelo de negócio de alfaces pré-lavadas, pré-cortadas, e pré-embaladas ( em resumo :uma salada num saco) crescendo do nada para $1.4 mil milhões de dólares em 1999.

Este exemplo de sucesso empresarial demonstra que os jovens agricultores não devem acreditar que estão numa indústria madura e onde não existem oportunidades, pois na nossa opinião não existem indústrias maduras, apenas gestores  maduros que, sem questionar, limitam-se a dar continuidade a conhecimentos e técnicas convencionalmente preconizados pelos seus antecessores.

Se alguém pode alcançar sucesso com um vegetal, qual é a desculpa do jovem agricultor para não acreditar que é capaz de colocar em prática aquele projecto que sempre sonhou?

Partilhamos da opinião de que os novos Alquimistas como, Steve Taylor, - jovens capazes de produzir algo a partir do nada - ao lutarem, não contra a natureza, mas, principalmente, contra a hegemonia das práticas convencionais, sentem que se encontram perante uma oportunidade de poderem acrescentar uma peça ao conhecimento humano, contribuindo para a criação de uma economia baseada no crescimento e não na optimização, o que nos leva à oposição entre a economia do saber e a economia das Tecnologias da Informação.

Porém, se o domínio da alta tecnologia é rico na criação de empresas também o é ao nível dos recursos financeiros, os quais dificilmente se encontram disponíveis quer junto dos familiares e amigos, quer junto do sistema bancário tradicional, obrigando os empreendedores agrícolas a possuírem um “savoir-faire” e um equilíbrio saudável entre objectivos e recursos, de forma a que as suas empresas possam ser criadas e o seu crescimento adequadamente gerido.

Com efeito, os investimentos em projectos agrícolas que têm por base o recurso às Novas Tecnologias, ao serem efectuados, basicamente, em marketing, investigação e na constituição de equipas, ou seja, em activos intangíveis (para não falar das dificuldades associadas às projecções de rendimentos futuros), não proporcionam quaisquer garantias reais em caso de insucesso e, como tal, não são atractivas para os investidores tradicionais.

Um dos instrumentos mais eficazes para o fomento e apoio de novas iniciativas empresariais é, sem dúvida, o capital de risco que, por definição, se trata de uma modalidade financeira em que se produzem duas sequências inter-relacionadas: um capitalista de risco adquire uma participação societária numa PME esperando, com isso, obter uma mais valia quando essa PME desenvolver com êxito a sua actividade e, por outro lado, o empreendedor obtém fundos próprios do investidor, mas também a experiência e o conhecimento do meio envolvente e de gestão de que este tipo de investidor é possuidor.

Até há uma década atrás, os candidatos a empresários agrícolas tinham poucas opções. Mas, num mundo inundado em dinheiro de Capital de Risco , como é aquele em que vivemos actualmente, as suas escolhas são virtualmente ilimitadas uma vez que o recurso mais escasso para os capitalistas de risco na cadeia de valor da criação de riqueza é alguém com uma paixão empreendedora e experiência operacional que possa liderar um projecto que seja :Sustentável, Inovador e Rentável .

Só que o relacionamento com este tipo de investidores pressupõe o domínio de um “Modus Operandi” ( vidé, a propósito, livro do autor : Capital de Risco- Os tempos estão a Mudar, da editora bertrand) bastante específico, que nem sempre se encontra na posse dos jovens empreendedores agrícolas pelo que recomendamos que os mesmos recorram ao apoio de profissionais- nomeadamente na elaboração de um adequado Business Plan - com vista à obtenção de uma adequada estratégia de abordagem aos investidores sob pena de enfrentarem dificuldades enormes em transpor as diversas etapas que conduzam à obtenção dos fundos necessários à dinamização dos seus projectos empresariais.

Provavelmente, a única alternativa para os 60 a 70 mil jovens empresários existentes no sector agrícola português (e para os cerca de 15 mil licenciados que saem todos os anos das escolas agrárias na maior parte dos casos para serem absorvidos pelas organizações dos agricultores, como profissionais liberais), de disputar e, até mesmo, de sobreviver num ambiente tão competitivo, é deixarem de correr atrás do comboio tentando alcançá-lo e passarem a correr para alguns pontos futuros onde o comboio poderá passar e aí sim, tomar a dianteira do rumo da história.

Há uma maneira de se fazer as coisas, e sem dúvida que o capital de risco é inevitável nesta área, ao revelar-se como o instrumento financeiro, por excelência, apto a alavancar as relações empresariais ao nível estratégico do seu negócio com a agravante se não o fizerem os seus concorrentes- não só portugueses mas sim à escala global- vão fazê-lo e eles terão uma vantagem competitiva sobre si.

A comprová-lo, se duvidas ainda pudessem existir a este respeito, refira-se a criação em Espanha, no final de 2001, do fundo de capital de risco Gilde Europe Food & Agribusiness Fund, o qual possui um capital inicial de 15.000 milhões de pesetas ampliável até cerca de 33.000 milhões.

E será por (mero) acaso que este fundo foi criado?

Certamente que não. Anote-se que o Rabobank, maior banco do mundo especializado no sector agroalimentar, estima que esta industria atinja vendas anuais de cerca de 80 bilhões de pesetas constituindo, assim, uma das industrias que possui maior potencial de crescimento a nível mundial.

Neste contexto, se estivesse, porventura, colocado no lugar dos jovens empreendedores agrícolas que possuem um projecto susceptível de gerar a confiança dos investidores, que dispõem de gestores com capacidade para o colocar em prática, e, apresente viabilidade económica, então, seguramente que não hesitaria em recorrer ao capital de risco para o desenvolver ou consolidar...

Actualizado em ( Segunda, 28 Junho 2010 17:04 )  

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