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Segunda, 9 Dez de 2019
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Artigos de Opinião Venture Capital "Os ventos estão a mudar"

Venture Capital "Os ventos estão a mudar"

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Pretende-se aqui caracterizar o ambiente em que as PME portuguesas operam, e a oportunidade de financiamento que o Venture Capital representa para elas, uma vez que na nossa opinião os tempos estão a mudar, em Portugal.

I - INTRODUÇÃO

Ao longo dos últimos anos temos defendido a ideia (através da edição de um livro, artigos de opinião, seminários e até uma tese de mestrado) de que a economia portuguesa e, consequentemente, os seus empreendedores, não tem beneficiado das vantagens inerentes a uma eficaz Indústria de Venture Capital, ao contrário do que acontece nas economias Americana, Inglesa e, mais recentemente, na própria Francesa.

Vários factores têm sido apontados para justificar a inoperância do capital de risco e que sinteticamente relembramos: falta de tradição e experiência, existência de garantias de recompra, regulamentação legal e fiscal inadequada, peso do Estado, mentalidade portuguesa e, porque não, a própria juventude da democracia em Portugal.

Acresce ainda que as Sociedades de Capital de Risco (as primeiras foram constituídas em 1986) durante pouco mais de uma década conviveram com um palco primordial de actuação assente na macroeconomia, uma vez que o país tinha como objectivo a convergência (económica) nominal (diminuição do défice, despesa pública e inflação) com os restantes países que aderiram à União Europeia, não contribuindo assim para um adequado cenário de desenvolvimento das suas actividades.

Porém, como bem ensina o Professor Vasconcellos e Sá, a actual fase de desenvolvimento por que passa Portugal tem como conteúdo o enriquecimento do país, a reforma das instituições (Estado, Justiça e competitividade das empresas) cujo objectivo primordial assenta na convergência real ou seja colocar o PIB per capita português ao nível da média comunitária. Objectivo este que, para ser atingido, passa necessariamente por uma actuação muito eficaz das nossas PME.

II - O MEIO AMBIENTE DAS PME

Só que estas, para além de se debaterem com algumas desvantagens estruturais, relativamente às suas congéneres europeias, ainda se têm que debater com o desafio da globalização que caracteriza este final do século XX, marcado pela mudança da estrutura tradicional das indústrias assente numa maior fluidez da informação (maior alcance e mais conteúdo), eliminação das barreiras (liberalização, mercado de capitais) e profissionalismo da gestão (activos, outsourcing e orientação total para o cliente).

No entanto, apesar deste cenário, em que a Velha Europa é atacada pelo desemprego, as empresas se encontram submetidas à concorrência exagerada e o Estado como agente económico produtor não está preparado, é das PME que se espera algo, uma vez que só elas serão capazes de oferecer trabalho; trabalho inestimável que permita usufruir dos produtos, e horas de lazer do século XXI.

As qualidades das microempresas (tão mal tratadas em Portugal) e das PME, em geral, por todos conhecidas: criatividade, flexibilidade, rapidez de decisão, forte motivação das equipas, crescimento e rentabilidade acima da média, bem como as suas fragilidades estratégicas, derivadas da concentração num único mercado ou único produto, aliadas à falta de recursos financeiros para assegurar o seu desenvolvimento, faz levantar uma questão:

Qual a hipótese de sucesso das PME Portuguesas no desafio da mundialização?

Sinteticamente podemos dizer que hoje a especialização das PME representa um força estratégica uma vez que a abertura dos mercados e a queda das diversas barreiras existentes permite passar do mercado português ao mercado mundial, no qual as qualidades intrínsecas, como a inovação e a qualidade do produtos se impõem sozinhas.

Provocando um assédio das PME especializadas por parte dos grandes grupos económicos que lhes propõem associações, acordos cruzados, tomadas de participação temporárias ou definitivas.

Porém a estratégia de expansão internacional não é fácil porque além do rigor na gestão e na qualidade necessita obrigatoriamente de encontrar o combustível, a energia ou seja o "dinheiro".

E se este é fácil de obter pelas grandes empresas (podem procurá-lo em que mercado desejarem, jogando com a concorrência e ao melhor custo), já o mesmo não se passa ao nível das PME, as quais se debatem (apesar da melhoria verificada nos últimos tempos) com taxas de juro altas e com exigências de garantias por parte da banca tradicional.

III – A IMPORTÂNCIA DO VENTURE CAPITAL PARA AS PME

Convém no entanto salientar que as necessidades que se colocam às PME, hoje em dia, ao serem basicamente relacionadas com: pesquisa e desenvolvimento, produção e produtividade, publicidade, redes de vendas, embalagens – fazem com que as características dos recursos financeiros desejados sejam diferentes das habitualmente proporcionadas pelos clássicos empréstimos bancários, uma vez que terão que: compensar os riscos da empresa; manter-se por tempo suficiente, sem garantias, sem remuneração ou reembolso imediato; permitir que o empreendedor continue patrão/responsável do projecto e, em contrapartida, remunerar bem os capitais em caso de sucesso.

Ou seja, a intervenção das empresas de Venture Capital surge então como uma forma de financiamento essencial às PME uma vez que reúnem todas as características atrás referidas e fundamentalmente porque procuram adicionar valor através do envolvimento a longo prazo com o desenvolvimento do negócio.

Para os mais cépticos, porém, o Venture Capital não funciona nem irá funcionar, em Portugal, mas na nossa opinião os "tempos estão a mudar" por força dos seguintes aspectos:

ambiente macroeconómico favorável e global, a tendência descendente das taxas de juro e da inflação, um programa de privatizações bem sucedido, o controlo do défice público, o aumento do investimento directo estrangeiro e a importância crescente dos investidores institucionais;

o grande desenvolvimento das redes de informação digitais, nomeadamente o boom da Internet, abre caminho para novas empresas, com capacidade criativa, que requerem formas de financiamento diferentes das normalmente aplicadas; a importância das novas tecnologias levou o Governo a, pela primeira vez em 22 anos de democracia, criar um Ministério da Ciência e Tecnologia;

- o crescimento dos mercados financeiros permitirá libertar recursos excedentários, e devido à redução dos rendimentos tradicionais de curto e longo prazo, os investidores procurarão rendimentos mais altos;

- o sector do capital de risco evoluiu nos últimos anos não em tamanho, mas em estrutura; as Sociedades de Capital de Risco concentraram-se, especializaram a sua actividade e aumentaram o alcance dos serviços prestados às empresas participadas;

- o número dos fundos de Capital de Risco aumentou, angariando fundos de outros investidores, que não os accionistas;

- o aparecimento no mercado dos Venture Catalyst com Know-how de parceiros internacionais com experiência na dinamização do Venture Capital;

- o Nouveau Marché, a sua rede europeia e o EASDAQ permitirão novas oportunidades para as SCR’s alienarem as suas participações;

Por último, a aposta que a Comissão Europeia fez no capital de risco, nomeadamente através da criação de vários programas de desenvolvimento em cada um dos países membros;

"O capital de risco vai sofrer um grande impulso no quadro do novo programa operacional que o Ministério da Economia está a preparar.", disse o Ministro da Economia em Vila do Conde no passado 22 de Maio.

Por último acreditamos que as SCR irão finalmente, aproveitar o ambiente positivo que atrás nos referimos para criarem o seu espaço próprio de actuação através da promoção da sua missão, das suas vantagens e competências específicas, de modo a diferenciarem-se de outros tipos de investimentos.

Se tal acontecer não temos a menor dúvida; é o momento dos empreendedores "avançarem".
 

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