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Quarta, 11 Dez de 2019
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Artigos de Opinião Business Angels: Uma solução para financiar as Start-Ups

Business Angels: Uma solução para financiar as Start-Ups

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Numa altura em que se estão a criar condições favoráveis à inovação tecnológica e organizacional no tecido empresarial português, reforçando a dinâmica de clusters e a respectiva base de reconhecimentos e competências, ao mesmo tempo que se incentiva a constituição de empresas, nomeadamente nas áreas das Teconologias: Informação, Ciências da Vida, Energéticas Limpas, Materiais, Micro-Energias e Nanotecnologias, importa, mais do que nunca, sensibilizar os Empreendedores portugueses para a necessidade de apresentarem, desde o início dos seus projectos, adequadas estruturas de capitais próprios que favoreçam dinâmicas de crescimento e de afirmação nos mercados.

Porém os fundos necessários à constituição dessas estruturas dificilmente se encontram disponíveis quer junto dos familiares e amigos, quer junto do sistema bancário tradicional, uma vez que ao exigirem investimentos em marketing, investigação e na constituição de equipas, ou seja, em activos intangíveis, para não falar das dificuldades associadas às projecções de rendimentos futuros, não proporcionam nenhumas garantias reais em caso de insucesso e como tal não são atractivas para este tipo de investidores tradicionais.

Um dos instrumentos mais eficazes para o fomento e apoio de novas iniciativas empresariais com forte componente tecnológico é, sem dúvida, o Capital de Risco que, por definição, se trata de uma modalidade financeira em que se produzem duas sequências inter-relacionadas: um capitalista de risco adquire uma participação accionista numa Empresa esperando obter uma mais valia quando esta desenvolver com êxito a sua actividade e, por outro lado, o Empreendedor obtém fundos próprios do investidor, mas também a experiência e o conhecimento do meio envolvente e de gestão de que este tipo de investidor é possuidor.

Para uma melhor caracterização da Indústria de Capital de Risco importa referir que a mesma abrange todos os sub-conjuntos das fases de financiamento em que os investidores afectam os seus recursos : (i) “Venture Capital” para empreendedores que possuem ideias/protótipos  que se podem tornar em empresas (“Seed Capital”) ou empresas que possuem alguns negócios mas que ainda não libertam resultados positivos (Start-ups”) ; (ii) “Expansion Capital” ou Capital Desenvolvimento para fazer crescer e expandir uma empresa já estabelecida mas que precisa, por exemplo, de aumentar a capacidade de produção, o desenvolvimento do produto, a sua comercialização ou as suas necessidades de capital circulante; (iii) “Management Buy-Outs e Management Buy-Ins” isto é investimentos tipicamente maioritários realizados em empresas conjuntamente com a gestão existente (MBO) ou com uma nova equipa de gestores (MBI). 

Em função da amplitude de investimento a que Indústria de CR dá resposta e fundamentalmente em face dos riscos inerentes às empresas “Start-ups” é ideia comum que os fundos de capital de risco institucionais – vulgarmente designados por CR formal - representem, por exemplo, nos EUA ou no Reino Unido, a principal fonte de financiamento dos projectos “Seed-Capital” ou mesmo “Start-up”.

Porém os diversos estudos que se têm realizado a nível internacional, aos quais tenho tido acesso, apresentam uma realidade bem diferente, uma vez que :

- São poucos os projectos capazes de cumprirem os critérios bastantes rígidos das SCR, (em média apenas 2% dos pedidos de financiamento de Capital de Risco recebem uma resposta favorável);

- São poucos os fundos de capital de risco que se especializam no financiamento “Seed” ou “Start-up” preferindo investir em negócios maiores e já estabelecidos através de operações de MBO e MBI dado que os seus gestores ao terem de remunerar os seus accionistas necessitam de adoptar estratégias de alguma prudência e selectividade;

- As SCR não estão, normalmente dispostas a realizar investimentos abaixo dos 250.000 euros, em Portugal, (no Reino Unido esse montante é de mais de 500.000 euros) uma vez que a avaliação e o controlo a que tem de preceder e acompanhar os investimentos representam um custo significativo independentemente da sua dimensão, para não falar mesmo dos custos de estrutura que seriam necessários possuir se a gestão do seu portfólio abrangesse uma grande quantidade de pequenas participações.

Embora saibamos que existam SCR, principalmente as que são detidas maioritariamente pelo accionista Estado, que se encontram actualmente, a investir em estágios “Seed” e “Start-up” ,  elas são apenas a excepção que confirma a regra.

Perante este cenário os investidores informais, designados por “Business Angels”, assumem um papel fundamental, como fonte de financiamento de capitais próprios dos projectos apresentados por Empreendedores qualificados principalmente os que lideram empresas com elevado recurso a tecnologias, conforme o demonstra um estudo realizado pelo Cabinet Office’s Advisory Commitee ou Science and Technology do Reino Unido em que se conclui que “um mercado de capital de risco informal activo é um pré-requisito essencial para uma forte economia empresarial”.

Nesse sentido penso ser importante aprofundar a minha perspectiva sobre uma denominação – "Business Angels" – que para muitos parece paradoxal e mesmo contraditória – o "angelismo" parece à priori pouco compatível com a função do homem de negócios – mas que os jovens Empreendedores (nomeadamente dos países anglo-saxónicos) que têm beneficiado dessa intervenção "celeste" se recusam a deixar de recorrer uma vez que os “B.A.” são sócios prioritários para que as suas "Start-ups" façam o seu primeiro voo.

Com efeito os “Business Angels” empreendedores - antigos empresários de PMEs  que venderam o seu negócio e que pretendem reinvestir uma parte dos seus capitais em empresas que lhes possam permitir continuar a participar no “jogo” empresarial e obter atractivos resultados no futuro - possuem uma concepção alargada do seu papel de investidores uma vez que investem nos sectores de actividade que conhecem melhor, permitindo-lhes não só injectar capital nos projectos que seleccionam mas também proporcionar os seus contactos através da sua rede de relações e da sua própria experiência de empresários, ou seja, proporcionar aos Empreendedores conselhos preciosos que fazem ganhar tempo o que para uma jovem empresa é um verdadeiro acelerador.

Daqui resulta que as motivações que se encontram subjacentes aos “B.A.” reflectem o seu perfil (i) enquanto investidores pretendem conseguir uma mais-valia a médio prazo, no momento da venda quer a uma empresa da Indústria quer através da entrada de uma SCR institucional ou até na entrada da empresa num mercado bolsista como aconteceu , por exemplo, com a Amazon , Google , Ebay e a Apple (ii) enquanto antigos Empreendedores eles procuram reviver – ou viver – o entusiasmo e a excitação ligados à criação de uma empresa, em especial no domínio das Novas Tecnologias, onde o desenvolvimento pode ser espectacular e rápido.

De referir ainda que a multiplicidade das experiências de um “B.A.”, obtidas ao longo da sua carreira empresarial, permitem-lhe oferecer ao Empreendedor não só um “benchmark” de técnicas do negócio como também as inerentes a um adequado perfil de um “business-man”.

Há quem diga mesmo (André Maurois), que um “B.A.” «é um cruzamento entre um dançarino e um relógio suíço” pois se por um lado a vida dos negócios educa no sentido das conveniências sociais (como a pontualidade por exemplo, que aqui simboliza o relógio) por outro o seu espírito empreendedor tem de se tornar ágil quando se encontra perante a necessidade de analisar os pré-requisitos técnicos da gestão do projecto ou quando posteriormente tem de acompanhar o Empreendedor, com os seus conselhos e opiniões, no dia a dia do negócio».

 No meu caso particular ser “B.A.” é algo que faço com grande motivação uma vez que me encontro perto o suficiente para me preocupar com a vida da empresa (onde investi) conservando sempre uma determinada distância (não controlo nem faço a sua gestão quotidiana) que permite manter um olhar crítico e desempenhar o meu papel: encorajar as equipas, estimulá-las e mantê-las, mas também dizer-lhes onde e quando elas se arriscam a desviar-se do rumo traçado.

Neste contexto é de realçar a importância que o presente tema tem estado a merecer por parte das Entidades Oficiais nomeadamente (i) o IAPMEI que através dos instrumentos de financiamento inovadores e das parcerias Público-Privados no âmbito do Programa FINICIA, pretende facilitar o acesso ao financiamento pelas empresas de menor dimensão, que tradicionalmente apresentam maiores dificuldades na sua ligação ao mercado financeiro assumindo a figura dos “B.A.” um dos requisitos essenciais de tão interessante iniciativa, (ii) a CMVM ao propor a introdução, no ordenamento jurídico nacional, da figura dos Investidores em Capital de Risco (ICR) através da colocação em discussão pública de uma proposta que reconhece a inexistência de uma rede que ligue os designados “Business Angels” às oportunidades de investimento em sociedades com elevado potencial de desenvolvimento e (iii) a PME CAPITAL ao associar-se à Gesventure e ao Business Angels Club– Associação Portuguesa de Investidores em “Start-ups”, na Organização do Congresso Europeu de Business Angels  de 2007- que decorrerá nos dias 16 e 17 de Abril no Centro de Congressos do Estoril , com o alto patrocínio do IAPMEI e da Câmara Municipal de Cascais .

Para além do mais e a antecipar estas boas notícias importa salientar a criação das Associações de Business Angels do Porto, Cascais, Covilhã, Algarve e Funchal as quais certamente irão contribuir para intensificar a ligação entre o meio empresarial e o conjunto de entidades que actuam no suporte à inovação e ao financiamento empresarial facilitando assim a concretização de novos projectos inovadores, por parte de Empreendedores e pequenas empresas, nas fases iniciais do seu ciclo de vida.

Em resumo para os Empreendedores que desejam acumular riqueza - e esta significa ter mais clientes, que implica ter mais produtos, que por sua vez implica mais tecnologia - os “Business Angels”  podem assumir um papel fundamental pois quanto maior for a oportunidade para o empreendedor fazer crescer o seu negócio maior será a necessidade de fundos e de conhecimento, o que como já vimos são características que se encontram ao dispor de uma categoria de investidores que, nas economias anglo-saxónicas, tem assumido um papel de grande destaque no financiamento de projectos “Star-ups”.

Termino dando um conselho aos jovens Empreendedores: Encarem de imediato o aspecto internacional dos vossos negócios, e, em especial, não hesitem em partilhar e em abrir o vosso capital pois relembro que Bill Gates não detém mais do que 20% do capital da Microsoft…

 

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